Dom Morais

Blog do Dom Morais.

 
Diana Nas Alturas
Autor: Bento Calaça



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quando nascem
nem se alimentam sozinhos
os filhotes ...
depois de muitas noites
mal dormidas
um dia quase que por encanto
não reconhecemos mais
nossos rebentos.
Hosana nas alturas!!
mil vezes mil, cubra
esse manto dos Lavaredas
de sucesso.
Diana nas alturas sempre voará
com as asas da humildade
para curar os mais humildes
além dos céus de suas bocas
e assim como foi, sempre será
com os outros Mendes de D. Morais!



Autor: Dom Morais

Te odeio mãe natureza!
To farto do teu engodo
Teu disfarce azul-turquesa

Como queres que eu te tenha amor?
Acumulas tanto ódio em córregos
Soterra teus próprios filhos
Droga! Não sabes que matastes?

Por pouco quase morro!
Sinto que morri um pouco
Para que tanta provação?

Do que restou, quase nada ficou
Meus entes... Uns jaz, outros doentes
Até meu cachorro... Minha morada
Morro abaixo em avalanche destroçada

É para testar minha fé?
Ah, isso eu não aceito!
Não te dou meu perdão

É castigo pelo assorear dos leitos?
Vai! Desabriga os eleitos, de nocivos pleitos
Tuas enxurradas me deixam de alma vazia
Tormenta meus olhos d’água em profunda agonia.


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Celebridade Marginal
Autor: Dom Morais


Algemas apertadas, nos olhos uma tarja... Mãe
Os jornais das esquinas te deixaram perceber
O distorcido rosto que me impôs celebridade
De uma dura realidade, às avessas sem cachê.

Os faróis apagaram nossos caminhos... Pai
A irresponsabilidade que tanto te deu prazer
Lançou-me nas ruas entre os velhos sapatos
Unidos na mesma cola que nos faz morrer.

Atirei o bastão da culpa nas mãos da sociedade
À margem de uma aquarela em detrimento d'arte
Profundas pinceladas, abstração, vidas marcadas
Abstinente acordar careta, lacrimais pétalas atiradas.

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FILHO
Autor: Dom Morais


És mais importante em minha vida
Do que eu em teu viver

Quando tiveres esse entendimento
Terás mais cuidado consigo mesmo

No dia em que o futuro virar presente
Aprenderás com teus filhos
O que eu não te fiz entender.

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O RIBEIRINHO E A PRIMEIRA VIÚVA
Autor: Dom Morais


Terra rica e "afubitada" em quase tudo
Ribeirinho desprovido com quase nada
Amordaçado estorvo de dentes podres
Toma vinho de cupu com água gelada.

SO-TE-DIGO-TOMA!

Para poder conservar a caça e o peixe
Pense, numa trabalheira ao sol e sal!
Quando alguém bate por lá a caçoleta
Ou é derrame, ou é câncer estomacal.

Te manca só...

O caboclo adoeceu que ficou "mufino"
Partiu num pô-pô-pô direto pra capital
Sofrendo mais que sovaco de aleijado
Morreu lentamente na fila do hospital.

Aí papai... Deu o maior pé de microfone!

O defunto virou logo uma celebridade
Saiu estampado numa pagina policial
Foi assunto dos grileiros da localidade
Apareceu em tudo quanto é telejornal.

A primeira viúva exigiu que o ente famoso
Fosse enterrado la no fundo do seu quintal
Saiu chorando na TV pelo futuro pesaroso
De sua teba renca concebida sem pré-natal.

Toda fumada, sem marido e na pindaíba
Deposita as esperanças no filho primeiro
O sujeito pra completar revela que é biba
Ficou na cidade e deu pra ser cabeleireiro.

A coroa muito mordida, virou o cavalo do cão e gritou:
- TE FAZ DE DOIDO QUE O PAU TE ACHA!
Nooffa.
EU CHOOORO!!!

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Dio, come ti amo mãe natureza
Autor: Dom Morais


Dio, come ti amo...
Minha mãezinha natureza
Por todo teu esplendor e fartura
Teus pomares de puras princesas
Confortando minha vida dura.

Que nunca me falte sobre a mesa
O velho baião de arroz com feijão
Nem a merreca pra pagar a luz
Que me traz as frutas na televisão.

Melão, melancia e a vitaminada pêra
Quisera possuir de qualquer maneira
A sorte das mãos que hão de colher
Tomara que dê indigestão e caganeira!
No fela da put’s que irá comer.

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P4R4N014 V1RTU4L
Autor: Dom Morais


Meu barco tem vários navegadores
E eu atrapalhado não sei qual acionar
Enfeitado qual penteadeira de quenga
O meu processador i7 hoje vou estrear

O vento norte me traz boas lembranças
Do meu saudoso e rodado Pentium 100
Tinha o Netscape instalado no sistema
Creative Labs 4x e Subwoofer também

O pano de fundo era a Cindy Crawford
Na proteção de tela o Johnny Castaway
No zumbido da noite inocentes disputas
Tantos Lammers e até Larvas derrubei

A união das fronteiras distorceu os limites
Papo entre aparelhos Bluetooth já é banal
A ida do homem à lua, leigos dão palpites
O assunto rola no Twitter, à moda digital

Com pacotes de malicia e receitas de bolo
Menino virando H4cK3r parece coisa normal
Dispara seu torpedo farejador o tenro tolo
Brincadeiras de Curumim que só fazem mal

Na Backdoor, Rootkits e seus malwares
São alados os rasteiros cavalos de Tróia
Tiram de orbita satélites em plenos ares
E eu cá no divã, pherdido nessa paranóia.


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Velha e sonolenta mãe
Autor: Dom Morais

Já não ouves direito o que te falo moça?
De macaquinho já não me carregas mais...
O teu andar compassado alá filha do vento
Hoje medem passos em turvos olhos d’água
Faz parte do teu soluçar silenciado por dentro

A oclusão desconexa escorre-te a polenta
É apenas empapada... Não podes acelerar?
A ciranda agora roda em eterna correria
Na mochila que me punhas pão e caderno
Traz um notebook... É o amigo de cada dia

Ontem tua paciência de Jó me aguardava
No meu zig, zig, zá de teimosia me afagava
Minha vida mãe, agora é um versejar malfeito
Não sei por quanto tempo te terei por perto
Pra dizer que te amo, recostado em teu peito.

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M4G14
Autor : Dom Morais

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S3 3U TIV3553 4 M4G14 D05 D3U535
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MEIN KAMPF DE MAINARDI

Autor: (Dom Morais)

Sem causa, berra aos quatro cantos o insano
No odor de suas palavras obradas, faz-se fel
O sisudo ghost-writer, na aparência Gargamel
Fala de seu oculto invejado como fosse tirano.

Na insistente gana sobrevive a urubuzar
Cego como um fanático impondo sua razão
Iludindo os idiotas com o tom do seu falar
Aflora idolatria por sua anta em devoção .

Sua falsa casta nata a confundir-se co'a burguesia
veja à volta, sua tropa torpe passada em revista
Escreveu
seu Mein Kampf em um ninho extremista
Hostilizando The Best da nossa cabal democracia

O furo do Ctrl-C + Ctrl-V, em primeira mão
Agita seus compadres numa duvidosa pendenga
Reza sua maléfica ladainha em loop lengalenga
É o passarinho do rolex, desdenhando o povão

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LIBERDADE
Autor (Dom Morais)

O verdadeiro tesouro do afortunado
Andar sem rumo ao sol de cada manhã
A aflição d’alma a quem foi privado
O direito de pecar e comer a maçã.

A liberdade não é um ponto no tempo
Ou fumaça ao vento que se possa tragar
É o reiterar na conduta e na ética
É o bem-te-vi ao por do sol retornar.

Arbítrio do livre ao ventre adquirido
Pés descalços no próprio torrão
Analfabeto nas carreirinhas entendido
Princípios de direito nos erros do coração.

Liberdade!
Aqui em cima nos phoda o tom forte
Liberdade!
Os escravos de outrora ainda te esperam...
Sentados no Norte.

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SALVAS AO HERÓI
Autor (Dom Morais)

Quando Moises orava, o mar vermelho se abria
A mãe gentil de outrora, chora ao mar
Suas lagrima roladas à violência
São difíceis de enxugar

Mais um gigante tombado
Casca verde, seiva vermelha, sua vida...
Os dedos da justiça esmagaram sua identificação
Os direitos do erro o tornaram indefeso
Quem dera pudesse ter defeso!
Policial cai na rede, mas não é peixe
Sob as normas da caça um velho ditado
Tira?
Ta liberado.

-Porque permites oh Deus,
aos humanistas uma nova religião?
Suas bíblias sangram a hipocrisia rabiscada
No topo do mastro um salve feio ao pendão da matança
Aos nossos heróis a meio pau crucificada, morre a esperança

Um triste toque, uma salva
Nas mãos uma bandeira enrolada
No peito um vazio que não se encerra
Por um ato desumano cumprido
Por mais uma sentença de um filho perdido.

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A CULPA
Autor (Dom Morais)

Eu não pedi para nascer!
Por que me acordas para viver?

Ta ficando tão escuro aqui
Virou fumaça minha ilusão
Na bagunça do meu quarto
Meu refugio é meu colchão

Seus conselhos de cada dia
Me empurram para o chão
Sob um cenário nebuloso
Os grilos afligem meu coração

Uma tristeza persistente
Veio me estender a mão
No abismo dessa vida
O fim do poço é a emoção

Desabando em precipícios
Na certeza de encontrar
Algum culpado entre gritos
Pro meu dedo apontar

Na lamina d’água do poço
Vejo uma imagem se formar
Tem meu rosto e costumes...
Por que devo acreditar?

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CYBER CONDORISMO 1997
Autor: Dom Morais

Acionei meu navegador
Sai por ai sem rumo e sem era
A bordo de um poderoso pentium 100
Navegando a 54 kbps, strings atx3
Hoje não tem pra ninguém.

Com algumas pessoas vou tc
Outras vou derrubar
Eu pergunto para você:
Não é esse o linguajar?

A distancia entre eu mundo
São apenas cliques e teclar
Envolto a tantas novidades
Não posso me calar.

Dizem que sou uma larva
Com presságios agourentos
Jamais perdoarei um lammer
Disposto a me enfrentar.

Ontem me mandei pra China
Hoje me acertaram em Israel
Acho que posso chegar aos Deuses
Com essa torre de Babel.

Se o zumbido do modem
Porventura eu não escutar
Será um ZAZ problema
Na hora de me conectar.

Nesse mundo sem rosto
A gramática vai atrapalhar
Digitarei meias palavras
Num mesclado linguajar

Sou produto do meio
Hoje farei uma revelação:
Fica na tua Arco-íres!
Não é isso não.

Que seja neste século atualizado!
O condorismo de Castro Alves retificado!
O modo Cyber da sintaxe carimbado!
Ousarei em versos programar!

Sei que um dia quando póstumo!
Algum louco vai atualizar!
Que seja uma nova versão!
Seguida de ponto A.

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CICLO DA VIDA
Autor: Dom Morais

Segurou na minha mão
Me trazendo proteção
Contra os males do mundo
Forte me fez ficar

As trincheiras, os caminhos
Me ensinou como trilhar
E nos jogos da vida
As armadilhas driblar

Mas o tempo foi correndo
Acabei não entendendo
Porque tinhas que partir...

Segurou na mão de Deus
Nem de mim se despediu
Minha infância foi contigo
E o meu coração... Amigo
Encarou tamanho castigo
Ecoando, um não se vá

Sou teu rebento que implora
A falta de um colo nessa hora
Sonhando com o seu afagar

E esse tempo que não cansa!
Ao meu redor continua correndo
Mas acabo percebendo
Sou eu que estou morrendo!
E meu filho a me adorar

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SE MEU SOBRETUDO FALASSE
Autor: Dom Morais


Então fizestes do cemitério Meca tua?
Em pálido semblante insano, sobretudo típico
Lord Byron desfolhado à lápide nua
Dorme a cidade aos olhos do gueto em pico.

O
que farás frente ao muro de tua morada?
Arrastar correntes, em tom deprimente escuro farda?
Dores da madrugada, a barra não tarda
Ávido entre mágoas, uma vela triste ao bolo arda.

Roga ao mundo, entre culpas e pragas sucumbir
Que o ranger da porta ouça à madrugada a tua chegada
Quase trinta sopros rumo ao castelo em grãos ruir.

Será meio dia, assolação anuncia o suor que há de vir
Os anjos fogem... Caído e só ao caminho que vás trilhar
Sobretudo ao canto surrado, como a perguntar-te: - E ai?

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DOCE FEDOR DA MORTE NO TRONO
Autor: Dom Morais

Oh! Sou um vampiro fracassado
Beterraba com ketchup já me deu problema
Nesta solidão do meu caixão abandonado
Por minha amada que me deixou com cachimblema
Fugiu com outro desprezado meu amor
Não me resta mais nada a não ser um triste final
Não quero mais viver eu quero MÓRREEEEE
Que seja doce a morte digna de um vamp real
Lacto purga magnésia caroço de manga e repolho
Vidro moído farpa de estaca bala de prata junto ao leite
Pro meu deleite ficando roxo, tufando o olho
Corpo suado sentado ao trono eu sou rei
Já estou podre horas depois com o boga assado
Todo cagado descobri sou imortal, Oh!Quero MÓRRÊEEEE.


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Poema sem Rima
Autor: Dom Morais

Um poma sem rima é igual a um doido
Você ajeita..., ajeita... Melhora mas nunca fica bom
É como um zarolho que não anda por onde olha
Ou a um bêbado que não olha por onde anda

É a homenagem aos que nunca tiveram nada
Batalharam... Batalharam
E hoje não têm porra nenhuma
É o mesmo que dar rasteira em cobra
Ou cachuleta em orelha jaboti

Definitivamente!
Me recuso a escrever.

Poema sem rima?
Nem Phodendo eu faço!

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BEBER PARA ESQUECER

Autor: Dom Morais

Hoje eu quero caprichar!
Garçom traz aquela!
A que queima por dentro
Faz caminho rasga a goela

Quero queimar óleo 90
Bater pistão, quebrar biela
Esquecer da infeliz
Apagar o nome dela.

Acelera!
Que vou pra janela
Cantar pra ela.

Hálito puro de um dragão
“Qem botô nois bebê foi U cão”
Não me filma pro YouTube
Me tira do chão.

Para de girar que eu quero descer!
Juro, nunca mais vau beber
Sou um homem religioso
Acredito e tenho fé
Um golinho jogado ao canto
Sou devoto do Santo Mé.

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HIGHLANDER BRASILEIRO
Autor: Dom Morais

Jurei pros meus botões
Não mais escrever poesias
Os bons olhos as discriminam
Por não haver melancolia
Prefiro morrer coaxando
Tal sapo em noite fria
Ao dobrar-me diante de um estilo
Em tom de heresia
Com a mântica cheia de espinhos
A torturar-me por todo o dia.

No meio dessa corja
A safra velha, nova e futura
Clamam por minha sepultura
Estreita, rasa por morte imposta
Imaginam que dentre poucos dias
Federei mais que bosta
Esses ratos hipócritas
Ao rasgar minhas doces palavras
Afloram a própria pederastia
Dando as costas como resposta.

Prefiro o ranger de dentes
Misto de ressaca no outro dia
Ao ouvir o tocar de uma lira sem a origem
Cujo tempo a deixou
Perdida na mitologia

Quem diria?
- Até tu, gótico?
Hoje rebolas sem braços
Quase sem beira
Vive a arrastar-te como uma serpente
Ao deleite coceira.

Vivas ao tatu que morreu cavando na mesma direção!
Com a tenaz na forja
Aquecerei minhas palavras
Até a vermelhidão
Sobre a pedra moldado
Um fio afiado.
Highlander cortado
Cabeça jazia
Cego enxotado
Como um boi numa baia
Rumo a uma academia

Prefiro morrer mil vezes prostrado
Que imortalizado e mumificado
Sob um manto escuro-verde
Tom ouro bordado
Sem ter alegria.

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SANGUE NAS ESCADARIAS
(Autor: Dom Morais

Antes que algum gaiato me repreenda
Eu falei em Off aos amigos
Prefiro assim, que falar em Cc
É como sussurrar com a cutela da mão ao lado da boca
É o dizer do coração cheio
É o dia que não terminou para os Detonautas

Foi simbólico o sangue nas escadarias
Pena que o Zé ninguém não estava lá
A pesar dos Flashs, a praça estava vazia
Não sei o que é pior: Ler as noticias
Ou amanhecer coberto por elas
Só sei que não ficarei Out
Meus olhos podem até ficar grandes de medo
Jamais vermelhos de fumaça na escuridão

Enquanto muitos de vós cortados de bisturi nasciam
Eu pintava meu rosto de verde e amarelo
Dando o fora a um collorido sem sentido
Já vi e a cada dia reconheço que não vivi bastante
Minha boca pode até virar formigueiro
Falarei torto, mas verdadeiro

Minha pele não será furada
Como “Tauba de tiro ao Álvaro”
Os propositais de Adoniran são meus acertos
Não encantarei o mundo com o drible da vaca
Correrei ao lado do prejuízo para não perder o gol

Ser maldito é viver na penúria e sorrir
Ser maldito é encher o bolso com a desgraça alheia
Ser maldito é jogar as verdinhas para cima e dizer:
Pega senhor, o que cair é meu!

“Voltem ao saco de seus pais”
Aprendam tudo outra vez
A vida não acabará num orgasmo
Como desejou de Charles Chaplin
Melhor ter fica mudo
Pensem enquanto as Luzes da Ribalta não se apagam
Sejam porcos, mas arrotem alegria
Fucem bastante para encontrar a PAZ

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A FLORESTA ENCANTADA

Autor: Dom Morais

 

Numa era bem distante

Na floresta encantada

Vivia uma águia com um cisne

E uma onça pintada

 

Nessas verdes lindas matas

Onde a lei era ditada

Com fuzil e baioneta

Cassetete e chicotada

 

Coitada da bicharada

Andava miudinho e tinha fé

Para não ser devorada

Uma pantufa em cada pé

 

Um dia com coragem

A gazela resolveu

Reunir todos os bichos

Uma festa promoveu

 

Com cantigas de rodinha

Na beira de um igarapé

Convidaram o lobichomem

Com a mulher Jacaré

 

A velha onça desbotada

Do profundo sono acordou

Tirou do baú suas baratas

E com a festa acabou

 

Foi um pula-pula vuco vuco

Um alvoroço gritaria

Escorrega e sobe pelas arvores

Uma tremenda correria

 

Os bichos invadiram a cidade

Na selva nenhum mais cabia

Despertaram da nobre imprensa

Uma tremenda simpatia

 

Um grupo de humanos

Resolveu investigar

Perguntaram para a onça

- O que foi que aconteceu?

Foi a gazela Julieta

Que um motim promoveu.

 

A noticia se espalhou

E a gazela apareceu

Numa capa de revista

Com o Bambi seu Romeu.

 

O final não foi feliz

Para o conto que é de fado

Acabaram dançando uma musiqueta

Queixo no ombro, olhar de lado

“Ado a-Ado cada um no seu quadrado”

“Ado a-Ado cada um no seu quadrado”


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posted by DOM MORAIS 6:02 AM


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